Quem paga as tuas contas?

Esse termo permeia o psicológico do ser humano, as relações sociais, amorosas e agora digitais. Vou classificá-la da forma que significa para mim. Como passou a significar depois do meu processo de divórcio. Do meu antes e do meu depois.  Do que mobilizou a minha decisão e do que se tornou obstáculo, punhal contra mim mesma. Contra a minha própria felicidade.

A aprovação social e sua ausência de espírito.

A necessidade dela, a incessante busca por ela, por aprovação. Como se, se eu passasse naquele teste, ganhasse o direito de ter da sociedade as minhas contas pagas. De ter mais amor do meu parceiro ou ser arroz para mais festas. Privilegiada pela posição comum, aquela que não é indigesta a ninguém, que não faz pensar.

Até eu ter a felicidade de descobrir que aquela não era eu, e que a aceitação social não era a minha busca. Que ela não me trazia qualquer prazer, qualquer profundidade na vida, ou mesmo personalidade. Autenticidade. Aquela que define a pessoa que eu sou e pela qual quero ser respeitada. Aquela que me empodera a olhar fundo nos olhos dos meus filhos, do meu amor e dos meus amigos. Aquela que me faz relevante nos meus ambientes e na sociedade na qual vivo. Aquela que me permitiria genuinamente ser feliz.

E a escolhi. À Juliana, antes do que os outros iriam achar dela.

Ouvi falar de coragem, muitas vezes. E quando ouvi esta palavra das pessoas, esse elogio, eu diria, me assustei. Também não me considerava diferente nem especial por escolher o meu caminho, quando essa deveria ser a atitude comum. A que deveria ser a primeira escolha das pessoas. Isso é confuso, mas entendo que talvez a diferença entre eu e outras pessoas, ou o que me faz semelhante à tantas outras, seja eu ter me ouvido. De verdade. Ter ouvido meu coração. Levado ele, que é tão meu, a sério. Não com menos medo, não com menos dor que qualquer outro. Mas enfim, deixar essa voz me levar ao fundo de mim, a conhecer o que realmente existe lá dentro. E assim tomar as decisões importantes da minha vida.

Passado o medo da decisão, segui adiante, e conheci a reprovação social. Não sei se esta expressão existe ou é utilizada nestes termos. Mas deparei-me com ela. E este processo de enfrentamento exigiu sim, coragem. De seguir em frente, de não voltar pelas tantas reprovações que tive. Dos que não me conheciam, dos que me conheciam pouco e dos que conheciam muito mas não escutaram a minha agonia. Não me viram gente, não me viram mulher. Apenas mãe de Joana e Joaquim, e esposa. Nem olharam também, desprovidos de preconceito e medo, a minha paz. Aquela que vinha do meu movimento.

Por isso não gosto dessa expressão. Aceitação social? Não mais. Já vivi com ela, já a considerei amiga. Logo esta inimiga íntima…E hoje a mandei embora da minha vida. Da minha casa e da minha família. Da empresa na qual eu trabalho e das minhas redes sociais.

Sei que ela vive à espreita, pelo medo da solidão. Quem não o tem?

Mas posso dizer, com a experiência de quem mergulhou nas águas escuras da vida, até o fundo: a pior solidão é a da falta de alma. Da sua própria. Essa a sociedade não te da, nem paga as tuas contas.

 

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