Sobre o óbvio

Pois então. Falei outro dia de uma coluna do Piangers, que eu adoro, e que demandou da minha parte, defesa. Me senti na condição de defender a mim mesma quando o mesmo tratou do divórcio, na pele de um homem casado. Mas adoro Piangers. Me divirto e me emociono com ele direto. Então para mim, foi só uma tentativa de empatia da parte dele com o universo desconhecido dos pais separados.

Nesta mesma condição, ou seja, dentro da situação, me senti com o texto do colunista Carpinejar, publicado no mesmo domingo, véspera do Dia dos Namorados de 2017. Quem tiver a oportunidade de lê-lo, a este texto em especial, não perca. Ele trouxe em sua narrativa a perigosa falta de palavras. De forma fascinante, ele fez uma leitura do impacto da falta de palavras na criança que participa do processo de divórcio dos pais.

Na verdade, ele permeou todo o tipo de dor oriundo do silêncio, da falta de informação. Ou como ele mesmo disse, “daquela dor que permanece burra, forçada a deduzir respostas. ”

Este texto foi de uma delicadeza, de uma profundidade… que tocou meu coração e me fez avaliar e reavaliar as minhas relações. Mas ao mesmo tempo comprovou a minha crença de que informações devem ser dadas, principalmente às pessoas que amamos. Assuntos devem ser conversados. Porque “ A dor bem informada para de sofrer pois entende melhor a realidade. ”

Meus filhos foram expostos às verdades e informações relevantes quanto a família deles desde a decisão minha e do pai de nos separarmos. Confesso que não é fácil. Que dói para quem fala e dói para quem ouve. Que quando falamos a verdade expomos um ser nú, e quando se tratam dos seus filhos, é mostrar a sua fragilidade a eles, que pensam ser criados por super-heróis. Às vezes parece que esconder, omitir, faz a fratura ficar menos exposta, faz a gente poder fingir esquecer do problema. Mas esta é uma ilusão tão grande!

As verdades curam. Almas e corações, pequenos e grandes. Adultos e infantis. Elas tiram a gente da imaginação, que em momentos de dor, tendem a fantasiar mundos mais nebulosos e cruéis do que realmente são. Mais escuros e com menos saídas. E naquela escuridão, é gerada a falta de confiança em tudo e todos. E a falta da conversa permitiria aos meus filhos acharem culpados e não verem uma saída para nós, para a nossa família. E a acabar buscando fora, na opinião alheia, respostas para questões suas, íntimas, da sua casa, da nossa vida.

E nada pode ser pior no que tange alimentar à Toddy um sofrimento ou uma expectativa.

Pois então, para quebrar paradigmas, preciso relatar que na minha experiência de nudez com os meus filhos, deixei de ser uma super-heroína. Deixei sim. E virei para eles uma mãezona. Forte, real e mulher. Uma pessoa, que além de mãe, viram como ser humano. E ali, passamos a trocar cuidados uns com os outros. Como pessoas deveriam se relacionar. E entendi que a vida deve ser assim. Que pode até doer para sair da boca, mas alivia corpo, mente e coração. E que nos torna de verdade.

Assim segui a vida e as relações com os meus afetos. Deixando claro o óbvio. Muitas vezes por dia repito problemas e declarações de amor. E divido com eles tudo aquilo que não é tão óbvio assim. E no processo da verdade, escrevi outro dia um texto sobre meu estado civil. O de divorciada, separada ou chamem do que quiser. No qual falava das tantas situações indelicadas que passei nesta condição, pelo meu desconforto e pelo preconceito que existe por aí. E o li para revisão, junto ao meu “namorido”.

Pois então? Eis que, fui pedida em casamento doze horas após a minha leitura. Um desejo nosso de tempos, mas enfim, que viu oportunidade ali. Naquele texto. Que só falava a verdade e que ele, sensivelmente ouviu. Porque é assim que funcionam as conversas, do jeito que for.

E aí, não faltam palavras, a imaginação voa em céu aberto, sem dramas e incompreensões. Com expectativas conhecidas. Na verdade nua e crua, mas não burra.

Obrigada Carpinejar pelo talento com as palavras. Elas, gratas, não te faltaram.

 

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