Novas Famílias: Quando nascem novos afetos…

Dois anos atrás meus filhos ganharam uma família inteira. Assim, daquelas coisas da vida. Daqueles presentes que ela dá e que a gente nem sabe se merece. Talvez por fazer por bem, mas enfim. Um avô, uma avó, um tio que virou dindo, uma tia linda que foi miss, uma prima que virou dinda e ídolo por ser mais velha. Uma bisa… que eles já há alguns anos só tinham por parte de avó materna. Além deles, muito além, ganharam um tio especial, um pai do coração, postiço, padrasto… Um amigo para a vida toda.

Acho que foram predestinados, os meus filhos e esta família presente. Pois se apaixonaram à primeira vista. Logo, uma senhora virou vovó, um senhor virou vovô, um padrasto virou “Tio Lê”. Relações cheias de naturalidade, cheias de afeto fluído, de desejo de se misturar. Sem pressões, sem dar nomes aos bois, Joana e Joaquim foram acomodando novos amores nos seus corações e na sua árvore genealógica.

E neste ato, duas crianças deram um banho de autenticidade, de generosidade, de humanidade e de simplicidade na sociedade adulta. No dia em que disseram ao pai e aos amigos que possuem três avós e três avôs. Um pai e o Tio Lê. Somas de gente. Multiplicação de amor. E para o questionamento quanto a estranheza em ter três avós e avôs, responderam com o coração. Simplesmente porque assim que sentem. Sentem avós e avôs, de sangue ou não.

Nossas idas à Santa Maria, cidade dos avós por parte do “Tio Lê”, acontecem no mínimo uma vez por mês. E quando vamos, somos recebidos com festa. Com a geladeira cheia dos pratos prediletos dos netos, a vovó arruma caprichosamente pratinhos de comida e lanchinhos fora de hora, como se os alimentasse de afeto misturado com saudade. Saudade dos netos que moram longe. Que recebeu como presentes, e nunca fez diferença frente a sua neta mais velha, agora a rainha do bando. É a dona do topete do Joaquim, a única que ele autoriza mexer em seu cabelo, o menino vaidoso. É parceira sensível da Joana, em suas noitadas de carinhos e programas na televisão.

O vovô nos espera em frente ao prédio da família sempre com um sorriso no rosto, com uma piada e alguns sacos de rapadura. Duras mas doces, são as minhas prediletas. E através delas ele mostra que não esquece, não esquece de mim. E não falta disposição naquele avozinho de setenta anos para bater uma bolinha com o novo netinho Joaquim.
O dindo e a tia miss, sempre prontos para receber a nossa família em sua casa, com um jantar de primeira, feito a quatro mãos, se enchem de alegria e de muito carinho o coração, na saudosa espera por aqueles sobrinhos que a vida mandou direto de Porto Alegre.

E a prima, ah! Que paixão aconteceu no encontro dos três. Se beijam, se abraçam e brigam como se criados juntos uma vida toda. Como se se conhecessem do ventre. E até parecidos fisicamente ficaram. Simplesmente porque se amaram, desde a primeira vez.

Pois então, gostaria de apresentar, com muita emoção nesta crônica, a nova família dos meus filhos. A família estendida de Joana e Joaquim. Aquela que acomodaram no coração, juntamente com os que já reinavam ali, desde que nasceram. E que se formou naturalmente e de amor, após o meu processo de divórcio. Quando conheci o meu grande amor, meu marido, aquele que trouxe em sua mala, de presente para nós, aquele tanto de gente com afeto para dar e vender. E o dedicaram gratuitamente aos meu pequenos, que os aproveitam com muita alegria, senso de pertencimento e gratidão.

Talvez pelo simples fato de terem sido respeitados. De não assistirem ninguém querer o lugar de ninguém. De não terem de escolher ou substituir. De não serem alienados quanto aos seus pais ou qualquer outro membro das suas tantas famílias. Por verem o amor somar, não diminuir. E por entenderem de alianças de afeto na prática. Aquelas que superam a falta de sangue e de história comum.

Estes são dos milagres da vida, que o amor gera. Os milagres que são o grande e seguro guarda-chuva das novas famílias.

À todas as famílias de Joana e Joaquim, minha gratidão e meu amor profundo. Pela presença constante em suas vidas, e por permitirem que se compartilhe amor, na árvore genealógica linda e diferente que deles foi gerada. Esta mista, de gente unida pela vontade.

Porque isso exige atitude. Exige coração aberto. Exige amor por eles. E estes, não nos faltaram.

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