Cansada, com algumas demandas extras para lidar, da casa e das emoções, inclusive aquelas que nos pegam todo o final de ano, e com uma gripe que começara a pelo menos três dias, me vi no quarto à noite, com a minha filha pequena para, fazê-la dormir, e com mais duas crianças do lado de fora, para colocar na cama.

Assim começou a minha semana. Não me sentia desanimada, de jeito nenhum. Apenas cansada fisicamente. Às vezes dá disso nas pessoas que fazem muitas atividades em paralelo. Mas no meu caso era só isso mesmo, cansaço. Não me sentia desmotivada, ou mesmo chateada de ter aquele tanto de funções até a hora de dormir, mesmo se tratando de um dia no qual a cama e um chá Vicky seriam meus melhores amigos.

E ali me veio uma lembrança…

Ouvi outro dia uma pessoa falar da incapacidade de uma mulher mãe ser uma executiva de sucesso. De realizar rotinas que a pessoa que abre mão da maternidade é capaz. Preciso dizer que existe uma confusão incrível nessa avaliação de capacidades, e nessa avaliação de resultados, sob a minha perspectiva.

Sou uma executiva de área comercial, e na segunda-feira, como de praxe, aquele mesmo dia o qual terminei cansada e gripada, saí, como o usual, às sete horas da manhã para a estrada, para trabalhar em uma atividade que eu adoro. Só que em paralelo a este trabalho, vivem em mim também, outros projetos empreendedores e do coração, como o New Families, que trata a construção da felicidade no depois, a minha empresa de conteúdo, a qual vive a pensar sobre matérias para negócios e para a construção das pessoas nos seus ambientes de realização profissional e humano, e mais três pequenas empresas, e que são meus grandes negócios. Joana, Joaquim e Antonella.

Cinco coisas para as quais eu dedico uma energia genuína e incrível, e que para realiza-las não recebo décimo terceiro salário, remuneração ou fundo de garantia. Só movida a propósitos fortes e meus. Sobre a crença de que podem crescer e virar algo gigante. Todos eles. Fontes de acolhimento. E que podem fazer a diferença no planeta, na vida das pessoas, que podem viver autonomamente, podem ter sequência e não depender mais de mim. Só coisas boas.

E quando falo disso, não falo somente das crianças. Falo do conteúdo e do projeto das famílias. E quando falo do que não é empreender, que é a minha atividade regular, uma atividade que eu amo de paixão e que realizo independentemente de grandes premiações, o faço só pelo propósito e pela minha capacidade de realização.

E naquela noite, me vi em frente ao berço, com uma bebê que se sentia angustiada e não queria dormir sozinha, me pedindo colo. E assim a pegava, a fazia adormecer, a devolvia para o berço. E ela chorava de novo, demandando acolhida.

No colo ou abraçada, de pé na cama. Por alguns momentos dormiu de pé, sustentada pelo meu abraço e com as pernas frouxas de sono, encostadas na cerca do berço. E eu torta, em uma poltrona ao lado da pequena cama. E quando dormia, tentava devolve-la ao seu cantinho e ela chorava de novo. Isso por uma hora e meia. Enquanto meus outros dois filhos me espiavam na porta do quarto, loucos pela minha presença ou pelo meu “boa noite”.

Respirei fundo e tentei estar em um lugar de cada vez. Assim como fiz durante o dia, na minha realização no meu trabalho, na sala brincando com os três até a hora do sono. Assim como queria estar ali para a Antonella, até que se sentisse tranquila para dormir, e como eu estaria logo com Joana e Joaquim, no restinho de minutos daquele dia de semana.

E depois de um dia cheio, de ver todos na cama, me bateu um desespero, pois a exaustão não me deixava escrever o meu texto semanal. Esvaziou a minha mente que não sabia o que contar em crônica. Nem por onde começar. Eram tantas coisas acontecendo que eu não conseguia escolher, dado o meu cansaço, o que seria mais bacana e viável. E que fizesse sentido para mim e para quem me acompanha, nos ajudando em mais uma semana de jornada.

Não conseguia escolher tema, sentar na cama, ou mesmo digitar no celular. Completamente sem forças. Foi aí que resolvi me dar ao luxo de fechar os olhos e dormir até o outro dia.

A minha crônica dessa semana eu escrevi no quando o sol nasceu. Quando acordei inspirada nos projetos e na capacidade que uma mulher com propósitos tem. Uma mulher que tem filhos tem esperança. É uma mulher de fé que acredita nas coisas, e tem uma capacidade de movimento e de motivação com o que se passa fora, incrível. Porque dentro, a construção é muito forte, muito sustentada e concreta. Embasada na fé no mundo que pode receber seus filhos e os seus sonhos, sua acolhida e contribuição cheia de força e emoção.

E nessa base da mulher mãe que trabalha, vão nascendo afazeres, metas, realizações, entregas e também cansaço, tudo administrado dentro da mesma pessoa, no mesmo dia. Tudo gerenciado. Uma gestão que não acontece em um bar, com doses de whisky ou um sequencia de séries do Netflix, porque não dá tempo. Uma gestão que acontece em um dia que custa a acabar, e por isso exige uma energia e uma motivação muito além do que outros seres humanos possam conhecer.

Luciana Cattony fala disso no projeto Maternidade nas Empresas, e o meu texto da semana é uma homenagem real a ela. Que juntamente com a sua parceira de projeto, defende a capacidade da mulher mãe. E que faço da cadeira de quem vive a “real maternidade”.  Que termina um dia como o que eu terminei ontem e que acorda no outro dia para escrever, motivada com todos os seus empreendimentos. Às seis da manhã. E que agora, posta para vocês.

Só falta transcrever. Há de haver um tempo para esta redação.

Como um bom executivo dessa vida de mulher mãe, cheia de propósitos, fé e de motivos para construir sonhos e os fazerem crescer, nada que é importante ficará para trás:)

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